Leave Your Message

A conexão é vista como fundamental para o crescimento sustentado do comércio.

2026-01-07

Um navio porta-contentores parte do porto de Yangpu, província de Hainan, com destino ao Vietname.IMG_256

Especialistas afirmam que o comércio dentro da Ásia deverá manter uma tendência de alta em 2026, sendo a cooperação regional essencial para aumentar a resiliência.

"A tendência (no comércio intrarregional) continuará porque queremos construir mais redes de cadeia de suprimentos na Ásia", disse Park Chonghoon, chefe de pesquisa do Standard Chartered na Coreia do Sul.

Ele afirmou que as economias da Ásia deveriam ser mais integradas não apenas nas importações e exportações, mas também no consumo de produtos finais, para expandir os mercados em meio às barreiras comerciais criadas pelos Estados Unidos.

O comércio global de bens e serviços deverá ultrapassar os 35 biliões de dólares pela primeira vez este ano, um aumento de cerca de 2,2 biliões de dólares, ou um crescimento homólogo de cerca de 7%, de acordo com um relatório das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento, divulgado no início de dezembro.

As exportações da Ásia Oriental registraram o crescimento mais expressivo nos últimos quatro trimestres, com 9%, enquanto o comércio intrarregional cresceu 10%, segundo o relatório.

Embora a desaceleração do comércio de mercadorias reduza a demanda por transporte e logística, o comércio de serviços comerciais na Ásia deverá crescer 5,5% em 2026 em comparação com 4,6% neste ano, segundo a ING Think, divisão de pesquisa do banco holandês ING.

Os países asiáticos devem reduzir gradualmente a dependência dos EUA e trabalhar para a criação de uma zona de livre comércio regional, afirmou Hidetoshi Tashiro, economista-chefe da Infinity LLC, do Japão, e CEO da Terra Nexus Project Management Services.

Embora o setor manufatureiro dos EUA esteja em declínio e as exportações estejam cada vez mais restritas, Tashiro afirmou que o setor manufatureiro do Leste Asiático continua a sustentar a economia americana.

"Diante da provável interferência dos EUA, a região deve primeiro rejeitar conceitualmente a pressão externa, ao mesmo tempo que aprofunda os laços econômicos para construir um sistema baseado na confiança, capaz de resistir à intromissão externa", disse Tashiro.

É possível observar esforços para impulsionar a cooperação econômica e comercial intrarregional em toda a Ásia, como entre os membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).

Em novembro, os países da Ásia Central também concordaram em quase dobrar o comércio mútuo na região, para US$ 20 bilhões, de acordo com o The Times of Central Asia.

Ecoando a opinião de Tashiro, Suriyan Vichitlekarn, diretor executivo do Instituto Mekong, afirmou que a intensificação dos conflitos globais ressalta ainda mais a importância de fortalecer a interdependência e a cooperação entre os países vizinhos.

"Precisamos reconhecer que a confiança mútua é essencial para a estabilidade", disse Suriyan, cujo instituto é uma organização intergovernamental representada pelos seis países da Sub-região do Grande Mekong, a saber, Camboja, China, Laos, Myanmar, Tailândia e Vietnã.

Ele também espera que, uma vez que a demarcação da fronteira entre a Tailândia e o Camboja seja devidamente resolvida, as duas nações possam colaborar para construir resiliência regional, contribuindo para a estabilidade econômica e a melhoria dos meios de subsistência.

Devido ao conflito fronteiriço, a Tailândia corre o risco de perder o mercado de exportação cambojano, que representava cerca de 3% do total das exportações de bens antes da escalada das tensões no verão, segundo a Oxford Economics. Em outubro, as entregas para o Camboja despencaram 66%, impactando negativamente o crescimento das exportações totais de bens em 2,5 pontos percentuais, afirmou a consultoria em um relatório divulgado em 11 de dezembro.

Amitendu Palit, pesquisador sênior do Instituto de Estudos do Sul da Ásia em Singapura, afirmou que estruturas econômicas como a Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP), o maior acordo comercial do planeta, têm apresentado bons resultados.

"Talvez em breve vejamos a integração econômica asiática se tornar mais focada em questões específicas", disse ele, acrescentando que espera ver as economias regionais colaborando mais em temas como mudanças climáticas, comércio digital e conectividade.