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A UE renova sanções contra a Rússia enquanto pressiona para influenciar o acordo de paz liderado pelos EUA.

2025-12-23

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O Conselho da União Europeia (UE) renovou na segunda-feira as suas amplas sanções económicas contra a Rússia por mais seis meses, mesmo enquanto a Europa procura estabelecer um contacto direto com Moscovo no meio das negociações lideradas pelos EUA com a Ucrânia e a Rússia.

As sanções direcionadas à Rússia, impostas inicialmente em 2014, foram significativamente ampliadas após fevereiro de 2022. De acordo com o Conselho, as medidas abrangem comércio, finanças, energia, tecnologia e bens de dupla utilização, bem como indústria, transporte e bens de luxo, entre outros.

Além das sanções econômicas, agora prorrogadas até 31 de julho de 2026, a UE também adotou recentemente medidas punitivas adicionais. Somente na semana passada, o bloco aprovou sanções contra indivíduos e entidades acusados ​​de apoiar a chamada "frota paralela" russa de petroleiros, bem como sanções separadas contra supostas operações híbridas russas. Também foram impostas proibições a mais 41 embarcações russas supostamente ligadas à frota paralela.

Entretanto, a UE reafirmou seu compromisso de apoiar a Ucrânia. Em uma cúpula realizada na semana passada, o Conselho Europeu aprovou um pacote de empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de 105,4 bilhões de dólares americanos) para apoiar as necessidades militares e econômicas da Ucrânia nos próximos dois anos.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a UE precisa garantir que "a Ucrânia esteja nas melhores condições para negociar um acordo de paz".

Essas medidas destacam a ênfase da Europa na pressão, ao mesmo tempo que expõem a ansiedade em relação a ser marginalizada nas negociações para pôr fim ao conflito.

Um plano de paz para a Rússia e a Ucrânia, elaborado pelos EUA e que vazou para a mídia no mês passado, gerou preocupação na Europa e na Ucrânia. Críticos afirmam que o plano favorece fortemente a Rússia e aumentam os temores de que o governo do presidente americano Donald Trump possa pressionar a Ucrânia a fazer grandes concessões.

Desde então, negociadores europeus e ucranianos têm mantido conversas com os enviados de Trump para tentar inserir suas próprias disposições na minuta, embora os termos precisos da versão atual permaneçam em segredo.

No domingo, foram concluídos três dias de negociações sobre a crise na Ucrânia, incluindo reuniões separadas entre representantes dos Estados Unidos, da Rússia, da Ucrânia e da Europa na Flórida e em Miami. O enviado especial do presidente dos EUA, Steve Witkoff, descreveu as reuniões como "produtivas e construtivas".

A Rússia, no entanto, ofereceu uma avaliação mais crítica. O vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, afirmou que a Ucrânia e seus parceiros europeus estavam obstruindo o progresso. "É um fato: toda vez que nosso diálogo com os EUA começa a tomar um rumo positivo, Kiev e seus mediadores europeus tomam medidas emergenciais extraordinárias para dificultá-lo, deformá-lo e desviar esses esforços do rumo certo", disse Ryabkov, citado pela agência de notícias russa TASS.

Ainda assim, a Europa, ou pelo menos alguns países europeus, procura um canal mais direto com a Rússia, em vez de deixar as negociações exclusivamente nas mãos dos EUA.

Após a cúpula da UE em Bruxelas, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que o bloco deve estar preparado para o diálogo com a Rússia caso os esforços atuais para alcançar uma paz duradoura na Ucrânia não consigam. Macron declarou estar pronto para conversar novamente com o presidente russo Vladimir Putin, com quem já havia conversado por telefone em julho.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Putin está disposto a dialogar com Macron, de acordo com a agência de notícias russa RIA Novosti.

Acolhendo com satisfação a resposta do Kremlin, a presidência francesa afirmou: "Decidiremos nos próximos dias a melhor forma de prosseguir". Acrescentou ainda que qualquer discussão com a Rússia seria conduzida "com total transparência" junto ao presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e aos aliados europeus.